Texto Diego Linard para exposição Ô de casa

tecelagem artistica, a arte da tecelagem
Ph Verônica Leite


Ô de casa!
Entre ressignificações, desterritorializações e inovações múltiplas existem as mãos que constroem para os olhos que percebem pelo pensamento que os (re)(des)codifica. Esses acenos-objetos arrebatadores de desejos e afetos, obras abrigadas na fantástica áurea que só um artista pode atribuir ao inanimado. Alexandre Heberte materializa algo cada vez mais raro no espaço contemporâneo, pois reúne com uma sinergia imensa o suor do trabalho manual e o conceito resultante da eletricidade do pensamento. Nos tempos dos antigos gregos, agora tão distantes, uma coisa anulava a outra, doravante Alexandre apresenta em tramas/dramas o plasma (in)perceptível para esta criação. Caririense, Alexandre não pôde deixar de expressar seus sentimentos quanto às feições tão características da cultura da região. O dualismo sagrado-profano desta pequena parcela pós-alencarina, retratado muitas vezes de maneira meramente romântica, se alonga, quase como um felino, através da tessitura de emoções, memórias e identidades do artista. O rompimento com essas fronteiras aparentemente discordantes, ou até mesmo remotas, se dá pelas mãos-olhos-psique, intermediadas por ele onde evidencia uma proximidade e não mais o distanciamento destes díspares; sagrados, profanos, tecnológicos, ecológicos estão entrelaçados a fim de representar algo muito maior que parcelas do comum. 
Esse Cariri, lugar às vezes tão cerrado em telurismos desproporcionais aos seus integrantes, está encenando aqui, através das linhas brincantes de Alexandre, um descons(c)erto de modelos pré-estabelecidos enquanto que os sincretiza organicamente, desmontando essas fronteiras que podemos vir a naturalizar de maneira arriscada quando nos referimos à Arte caririense. A contemporaneidade discutida e proposta pelo espaço Ô de casa está marcada pelo endereçamento de antigos signos e ações típicas deste território pelo pavimento já não apenas das boas intenções, mas sim de intenções responsavelmente lúdicas e sintéticas como as interjeições do nordeste brasileiro. Ô, eita, vish. Expressões que contemplam fugazmente à imaginação, ilimitado mamulengo do ser que pulsa.

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