Texto de Renato Dantas para exposição Ô de Casa

Mostra SESC Cariri de Culturas - Galeria Reffesa - Centro Cultural do Araripe
Foto Del Nascimento


Teias

Desde os inicio dos tempos no arcaico tear manual se juntam fios de algodão e a habilidade do artesão e se transformam em pano.
Por muitos séculos o tecer subsiste nas casas das vilas e povoados até a chegada da era industrial em que a tear passa a ter uma representação emblemática na nova era. Seria a máquina dos novos tempos: produzir, produzir, produzir...
Hoje, um tear manual, em plena Avenida São João na “pauliceia desvairada” estranha os fios que lhe são apresentadas. Trança as fitas VHS, as da medida do Padre Cícero, a da palha de seda e outras tantas que a modernidade mostra como símbolos de novas eras, e que lhe propicia a experiência do (re)criar, do (re)significar do (re)fazer.
O tear da São João sente as mãos que o movem. São mãos que antes viram outras mãos. As mãos das rendeiras, das que fazem crochê, das que tramam o tricô, das bordadeiras, que enraizadas no coração e mente, dão sentido ao tecer e abrem possibilidades nunca antes pensadas e ele se sente feliz, mesmo porque sabe que “a vida nem é tão cor de rosa, nem tão cinza”.
As mãos no tear da São João batem e rebatem, entrelaça e desentrelaça, borda e reborda transbordando em tapeçarias que se fazem imagens e através das suas urdiduras contam história e estória de uma gente que se fez nação.
Em “O Salão de Devotos” o preto que não é lúgubre tem o brilho da fé.
A série “Coringa” apresenta escondida a pintura nas medidas-fitas do Padre Cícero, mas logo se revelam na força das cores e a faz viva.
A “Pedra do Vento”, um dos chacras da humanidade no dizer do poeta Abraão Batista, encerra pontos vários da tecelagem no exercício e construção do caminho que quer chegar.
As tramas construídas no tear da Avenida São João se apropriam da tradição e transcendem em uma expressão própria que fala do hoje, do amanhã e do sempre, com arte.
Tece Alexandre!

Juazeiro – Sítio Pedras de Fogo, 04 de novembro de 2014.


Renato Dantas

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